O painel de abertura do LinkISP Gramado 2025 trouxe propostas práticas para enfrentar um dos principais desafios da infraestrutura de telecomunicações no Brasil: o compartilhamento de postes entre distribuidoras de energia elétrica e prestadoras de serviços de telecomunicações.
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Entre as soluções apresentadas, duas se destacaram. O promotor de Justiça Felipe Teixeira Neto (MP-RS) propôs a criação de um consórcio formado pelas 20 maiores prestadoras do Rio Grande do Sul, que, com a anuência da concessionária de energia, contrataria uma empresa para organizar a ocupação dos postes e gerenciar os custos. Esse modelo se aproxima do “posteiro” previsto na resolução conjunta da Anatel, mas ainda depende de validação da Aneel.
Paralelamente, Felipe Aguiar, gerente de Projetos da TelComp, sugeriu a implementação de um modelo piloto regulatório, em que cidades de porte médio, como Londrina (PR) e Sorocaba (SP), funcionariam como laboratórios para testar regras mais flexíveis de compartilhamento. O objetivo é validar soluções práticas sem necessidade de investimentos adicionais, ajustando apenas as regras existentes antes de expandi-las para todo o país.
O debate também destacou problemas já existentes, como valores discrepantes pagos pelos provedores regionais e insegurança jurídica, que podem gerar disputas judiciais e comprometer a expansão da conectividade. Segundo Andrea Abreu Fattori, diretora Jurídica da InternetSul e mediadora do painel, “os postes são a base da conectividade e da inclusão digital. Sem organização, o setor corre risco de sair do caos para o apocalipse”.
Especialistas reforçaram que a infraestrutura já suporta múltiplos operadores, especialmente após a substituição dos cabos metálicos por fibras ópticas mais leves e eficientes. O consenso é que a adoção de consórcios e projetos-piloto regulatórios pode reduzir custos, ampliar a competitividade, trazer mais segurança jurídica e garantir maior qualidade de serviço à população.
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