Segurança

Mais de 80 mil contas Microsoft são comprometidas, alerta Redbelt

A Redbelt Security, consultoria especializada em cibersegurança, divulgou um novo relatório reunindo as principais vulnerabilidades e campanhas de ataque exploradas recentemente por grupos maliciosos no Brasil e no exterior. O levantamento destaca um cenário de ameaças cada vez mais sofisticado, com uso crescente de ferramentas legítimas para fins maliciosos, exploração de IA corporativa e táticas de extorsão combinadas a serviços jurídicos.

Entre os principais alertas do relatório, está o comprometimento de mais de 80 mil contas do Microsoft Entra ID (antigo Azure Active Directory) por meio da ferramenta de código aberto TeamFiltration, originalmente criada para testes de penetração. A campanha, identificada pela Proofpoint como UNK_SneakyStrike, teve início em dezembro de 2024 e chegou a registrar ataques a mais de 16 mil contas em um único dia. Os invasores usaram técnicas como password spraying e persistência via arquivos maliciosos no OneDrive para obter acesso indevido a ambientes corporativos em nuvem.

Outra falha crítica identificada envolveu o Microsoft 365 Copilot. Batizada de EchoLeak (CVE-2025-32711), a vulnerabilidade permitia o vazamento de dados sensíveis sem qualquer interação do usuário, explorando o processamento automático de conteúdos no Outlook e SharePoint. A falha já foi corrigida pela Microsoft, que afirma não ter encontrado indícios de exploração ativa até o momento.

O relatório também destaca o uso de zero-day no Google Chrome pelo grupo TaxOff, que utilizou a falha para distribuir o backdoor Trinper em ataques de phishing contra pesquisadores russos. A campanha, chamada de Operação ForumTroll, foi identificada a partir de investigações da Kaspersky e levou à correção da falha pelo Google.

Em um novo movimento do cibercrime como serviço, o grupo de ransomware Qilin passou a oferecer suporte jurídico aos seus afiliados, adicionando a opção “Call Lawyer” no painel de controle das operações. O objetivo é aumentar a pressão sobre as vítimas para o pagamento de resgates. Com 304 ataques no ano e 72 apenas em abril, o grupo figura entre os mais ativos de 2025.

No campo da privacidade, o Google também corrigiu uma falha que permitia ataques de força bruta a números de telefone vinculados a contas, usados em mecanismos de recuperação. A vulnerabilidade foi eliminada em junho e rendeu uma recompensa ao pesquisador que a descobriu.

Já na América Latina, mais de 700 usuários foram vítimas de uma campanha de extensões maliciosas para navegadores Chromium, disseminadas por e-mails falsos de cobrança. Os ataques incluem o uso de ferramentas como o MeshCentral Agent, voltadas à exfiltração de credenciais e controle remoto dos sistemas afetados.

Ao reunir esses incidentes, a Redbelt reforça a necessidade de estratégias proativas de segurança da informação, que envolvam não apenas tecnologia, mas também políticas claras de governança digital, capacitação de equipes e constante atualização de práticas frente ao avanço técnico das ameaças. O relatório está disponível para empresas interessadas em compreender o cenário atual e fortalecer suas defesas frente ao cibercrime em expansão.

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