O mercado global de data centers deve mais que dobrar de tamanho até o fim da década, alcançando US$ 517,17 bilhões em 2030, ante US$ 187,35 bilhões em 2020, com taxa média de crescimento anual (CAGR) de 10,5%. Os dados são de relatório da Allied Market Research, que aponta a transformação digital, a expansão da nuvem e o avanço da inteligência artificial como principais vetores de demanda por infraestrutura crítica.
CONTEÚDO RELACIONADO – Falta de regulação específica encarece projetos de data center, diz especialista
O crescimento reflete uma mudança estrutural no papel dos data centers, que deixaram de ser ambientes de suporte para se tornarem a base da economia digital. A evolução inclui desde instalações tradicionais on-premises até ecossistemas hyperscale e arquiteturas distribuídas de edge computing, capazes de atender aplicações de baixa latência e alto volume de processamento.
Entre os fatores que sustentam essa expansão está a adoção acelerada de modelos híbridos e multicloud pelas empresas, o que exige ambientes de alta capacidade e disponibilidade contínua. Ao mesmo tempo, a proliferação de dispositivos conectados e o crescimento exponencial de dados impulsionam investimentos em armazenamento e processamento em escala.
O avanço da inteligência artificial também redefine a demanda por data centers. Modelos generativos e aplicações intensivas em processamento elevam a necessidade por infraestrutura de alta densidade computacional, além de acelerar a adoção de tecnologias como resfriamento líquido, automação operacional e manutenção preditiva baseada em IA.
Do ponto de vista de segmentação, os data centers hyperscale seguem liderando o mercado, concentrando mais de dois quintos da receita global, impulsionados pela expansão de provedores de nuvem como Amazon Web Services, Microsoft Azure e Google Cloud. Já o segmento de edge data centers desponta como uma das frentes de maior crescimento, especialmente com a expansão de redes 5G e aplicações em IoT industrial, cidades inteligentes e veículos autônomos.
A busca por eficiência energética e sustentabilidade também ganha protagonismo. Operadores têm investido em tecnologias para reduzir o consumo de energia e melhorar indicadores como o PUE (Power Usage Effectiveness), além de ampliar o uso de fontes renováveis e soluções de resfriamento mais eficientes.
Regionalmente, a América do Norte mantém a liderança, sustentada pela alta concentração de infraestrutura e pela presença de grandes provedores globais. Por outro lado, a região Ásia-Pacífico deve registrar o crescimento mais acelerado, com destaque para países como Índia e China, impulsionados por políticas de digitalização, expansão do consumo digital e aumento de investimentos em infraestrutura local.
Europa segue em trajetória de crescimento estável, com forte influência de regulamentações como o General Data Protection Regulation, que impulsionam a demanda por infraestrutura segura e soberana. Já mercados emergentes na América Latina, Oriente Médio e África avançam gradualmente, apoiados por iniciativas governamentais e expansão da conectividade.
O cenário competitivo permanece altamente fragmentado, com grandes players globais e operadores de colocation disputando espaço por meio de expansão de capacidade, parcerias estratégicas e investimentos em inovação. Empresas como Equinix, Digital Realty, IBM e Oracle seguem ampliando sua presença global com foco em serviços de alto valor agregado.
Na avaliação dos analistas, o setor se aproxima de um ponto de inflexão, impulsionado pela convergência entre IA, 5G, cloud computing e edge. A combinação desses fatores deve sustentar um ciclo de crescimento de longo prazo, ao mesmo tempo em que impõe novos desafios relacionados à eficiência energética, segurança e escalabilidade das operações.
Participe das comunidades IPNews no Instagram, Facebook, LinkedIn e X.

