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Na corrida da IA, Google abandona a dependência do grid e internaliza a expansão energética

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A Alphabet, controladora do Google, anunciou, no final de dezembro, um acordo para adquirir a Intersect, empresa especializada em construção de data centers e projetos de energia, em um movimento estratégico para acelerar a expansão de capacidade necessária para sustentar o crescimento da inteligência artificial. Segundo a companhia, a aquisição permitirá atender à demanda crescente por infraestrutura, aumentar a confiabilidade energética, reduzir atrasos no fornecimento de energia e impulsionar o desenvolvimento de fontes alternativas.

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O anúncio ocorre em um momento em que a infraestrutura global de IA opera próxima do limite. “A capacidade de infraestrutura para IA está saturada, e há incertezas sobre se novos investimentos em data centers conseguirão entrar em operação no prazo”, avalia Thomas Randall, líder de pesquisa do Info-Tech Research Group. Para ele, a compra da Intersect abre caminho para que o Google amplie rapidamente a capacidade necessária para suportar o avanço do Gemini, tanto em treinamento quanto em sua integração crescente aos serviços de busca.

Energia como gargalo estratégico

O negócio, avaliado em US$ 4,75 bilhões e previsto para ser concluído no primeiro semestre de 2026, permitirá ao Google incorporar a equipe da Intersect e um portfólio de projetos de energia e data centers em desenvolvimento, somando “múltiplos gigawatts” de capacidade. Entre eles está o primeiro projeto co-localizado de data center e geração de energia da Intersect, atualmente em construção no Texas.

Segundo o Google, as empresas seguirão trabalhando conjuntamente nos projetos em andamento e no desenvolvimento de novas iniciativas. Ativos já existentes no Texas e projetos em desenvolvimento na Califórnia, no entanto, não fazem parte da transação e permanecerão sob controle independente da Intersect.

A companhia afirma que a aquisição reforça sua estratégia de explorar tecnologias emergentes para diversificar a matriz energética e garantir o fornecimento confiável, acessível e escalável de energia para seus data centers. O Google também destacou que continuará atuando em parceria com concessionárias e empresas do setor elétrico para viabilizar a expansão da infraestrutura necessária à IA.

Integração vertical para ganhar previsibilidade

A compra da Intersect se soma a outras iniciativas recentes do Google na área de energia. Em 2025, a empresa anunciou uma parceria com a NV Energy para adicionar 115 MW de energia limpa, proveniente de fontes geotérmicas, à rede de Nevada. Também firmou acordos com a Energy Dome para o desenvolvimento de baterias de CO₂ para armazenamento de longa duração e apoia projetos de captura e armazenamento de carbono (CCS) em parceria com a Broadwing Energy.

Para analistas, o movimento sinaliza uma mudança estrutural na forma como grandes provedores de nuvem lidam com energia. “O Google está reconhecendo que o modelo tradicional de depender exclusivamente de utilities e desenvolvedores terceiros já não é suficiente na era da IA”, afirma Sanchit Vir Gogia, analista-chefe da Greyhound Research.

Segundo ele, o principal desafio deixou de ser o design de data centers ou a expansão imobiliária e passou a ser a capacidade de colocar megawatts em operação com previsibilidade, em um cenário marcado por longas filas de interconexão, licenças e atrasos regulatórios. “A aquisição internaliza riscos e reduz a exposição a atrasos que podem deixar capacidade ociosa e comprometer a eficiência dos investimentos”, explica.

Novo modelo de confiabilidade e velocidade

Com a Intersect, o Google passa a adotar um modelo mais integrado, no qual a geração de energia é planejada e construída junto à carga dos data centers, em vez de aguardar a disponibilidade da rede elétrica. Essa abordagem, segundo Gogia, oferece maior controle sobre prazos, sequenciamento e confiabilidade, além de acelerar a entrada em operação de novas capacidades.

“O que muda é a dependência”, conclui o analista. “Em vez de esperar que a rede esteja pronta para receber a carga, a geração passa a ser orquestrada junto com a demanda. É uma mudança profunda na forma de garantir velocidade e resiliência em infraestrutura para IA.”

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