Empresa canadense vê na promessa das comunicações unificadas uma boa chance para retomar crescimento no País. Para isso, se organizou durante os últimos dois anos, e agora vai com força para o mercado. Um dos pilares de apoio da nova estratégia será a oferta de SOA para integrar equipamentos e sistemas de players diferentes. Primeiro caso deve entrar em operação nas próximas duas semanas.
A Nortel, empresa canadense que fornece soluções para comunicações, quer voltar a crescer no Brasil. Há cerca de dez anos, a companhia tinha uma boa presença na região, fornecendo equipamentos e sistemas principalmente para as estatais do setor de telecomunicações. No entanto, com a privatização do sistema, começou a perder espaço de forma muito rápida.
“Com a entrada das operadoras privadas, passamos a perder clientes. Outro impacto grande que tivemos foi quando a tecnologia CDMA, que era nosso forte, passou a ser substituída pela GSM”, explica Alejandro Bourg, diretor da Aliança Microsoft para Empresas do CALA (Caribe e América Latina).
De lá para cá o mercado de comunicações em todo o mundo passou a sofrer mudanças grandes, de forma cada vez mais rápida, o que fez com que a empresa voltasse a ver boas oportunidades na região. A principal delas foi a adoção dos sistemas de telefonia IP para substituir os tradicionais, e o crescimento exponencial do interesse pelas comunicações unificadas. “A América Latina, e dentro dela o Brasil em destaque, é uma das regiões com maior potencial de crescimento de adoção de comunicações unificadas”, avalia o diretor.
A preparação para esta retomada foi o envio, há dois anos, de um executivo para organizar a operação de 150 pessoas que a empresa tem no País. Depois disso, a parceria com a Microsoft para integrar suas soluções com a ferramenta de comunicações unificadas da gigante norte-americana (o Office Communications Server 2007) foi crucial para a criação de uma oferta consistente não só no Brasil, mas em todo o mundo.
Agora a Nortel partiu agressivamente para o mercado, com ações de marketing e vendas focadas no mercado enterprise. Um exemplo disso foi a recente contratação de uma assessoria de imprensa para atender ao escritório brasileiro. Alejandro Bourg afirma que a estratégia já está dando resultados e que diversos clientes estão testando suas soluçõe, entre elas uma grande companhia aérea brasileira e uma construtora. “Nosso primeiro caso deve entrar em operação em cerca de duas semanas”, revela.
SOA como viabilizador de projetos
Um dos grandes pilares da estratégia de comunicações unificadas da Nortel é o uso de SOA (Services Oriented Architecture) para fazer a integração entre equipamentos e softwares, de modo a entregar soluções adaptadas aos negócios de cada cliente. “Nós encontramos um gap no mercado, que era a falta de simplicidade nas soluções oferecidas para que as áreas de TI pudessem levar as comunicações unificadas para as empresas. Usando o SOA, pudemos criar uma camada de integração e isolamos a rede e sua complexidade, criando uma interface fácil para a agregação de aplicações”, explica Richard Tworek, responsável pela plataforma SOA da Nortel.
Para os primeiros projetos a empresa está usando a plataforma Websphere, da IBM, através de uma parceria anunciada no ano passado. No entanto, o executivo afirma que não é um acordo de exclusividade e que a Nortel está aberta para trabalhar com soluções de outros fornecedores.
Em relação à oferta da ferramenta, batizada de ACE (Agile Communications Engine), apesar de Tworek afirmar que trata-se de uma solução global, o especialista diz que as primeiras implementações ainda estão sendo feitas em regiões localizadas próximas de onde se encontram seus engenheiros, ou seja, nos Estados Unidos e na Europa. “Acredito que essa oferta deva chegar à América Latina por volta de 2009”, revela.

