Ponto de Vista

O Desafio do Business Intelligence

Neste artigo, Fábbio Munze Lopes reflete a respeito do futuro e das atuais mudanças na utilização de BI pelas corporações.

A pressão por resultados, o crescimento dos negócios e a caracterização do BI como uma ferramenta para gerar vantagem competitiva têm trazido uma grande disseminação do uso dessas ferramentas nas empresas. O BI deixou de ser uma ferramenta utilizada somente por funcionários altamente especializados e experts em manipulação de informações, e se disseminou para uma mais ampla base de usuários.

 

A tendência é de uma explosão do uso do BI nos próximos anos. Segundo pesquisas, o conteúdo de informações armazenado digitalmente irá ser 44 vezes maior em 2020 do que era em 2009. Para as empresas isso significa um tremendo impacto no BI, com uma demanda muito maior por informações, e, consequentemente, no custo de propriedade do BI, criando um cenário altamente desafiador para as empresas.

A sofisticação do uso do BI nas empresas é atestada pelo próprio uso das ferramentas. O Reporting, tradicional instrumento do BI, está perdendo espaço para a análise, previsão e otimização de informações. Devido à demanda, pressão ou popularidade, modelos preditivos e de algoritmos serão bastante requisitados, bem como ferramentas com In Memory Analisys, BI and Search, Real Time BI, BI com redes sociais e análise de conteúdo.

A pressão por ferramentas baratas e abertas aumenta no mercado, à medida que os orçamentos – sempre apertados – demandam fazer mais com menos.

O desafio para a área de TI é gerenciar os crescentes silos de informações de BI departamentais com o BI centralizado. Facilidade de uso, tempo de desenvolvimento de projetos, escala e performance, e o TCO da solução de BI são pontos focais em BI.

Como o BI é muitas vezes introduzido por departamentos, os indicadores acabam apresentando múltiplos números e, normalizar essas informações, não é uma tarefa fácil – além de aumentar os custos, a quantidade de pessoas envolvidas na ação é grande. Uma forma de trazer mais coerência à informação é a abordagem Top Down, que é a centralização da definição de indicadores em uma determinada área, e sua gestão, criando assim “uma única versão da verdade” na empresa.

Apresentamos a seguir alguns passos para melhorar o gerenciamento de BI:
. Necessidades de Negócio – O BI fica mais caro e amplo à medida que a organização for mais complexa e mais dados tiverem que ser analisados. Em determinados negócios, como o de serviços financeiros, o BI é fundamental para prover competitividade na tomada de decisões críticas.
. Softwares de BI – A propriedade de mais sistemas de BI, ao mesmo tempo em que atende as necessidades departamentais da empresa, aumenta o custo de propriedade do BI.
. Pessoas – Entram no cálculo os desenvolvedores de soluções e os usuários de BI. Ferramentas mais simples de administrar fornecem um menor custo de desenvolvedores, porém é importante analisar o trabalho do usuário – se ele simplesmente usa um Relatório ou Dashboard, ou se manipula dados em planilhas Excel. Nesse caso, o custo de usuário pode aumentar significativamente.
. Hardware – O custo inclui armazenagem, processamento e rede. Uma boa prática para reduzir esse custo é fazer análises críticas de relatórios de BI não mais utilizados – um processo de archiving e deleção pode trazer economias significativas.
. Dados – Inclui o custo para extrair, transformar e carregar informações em estruturas de dados (usualmente cubos), gerar processos de Data Quality e administrar as informações.
. Governança – Inclui o custo para o gerenciamento do ambiente de BI e as regras para sua operação, alinhando o software com as necessidades do negócio. Estabelecendo o processo de criação e gestão de indicadores, contratação de novas soluções, padronização e gestão da camada de metadados de BI.

Entenda também as diferentes visões dos stakeholders da organização sobre o BI:
. CFO – Redução de riscos de governança e aumento da eficiência. Compliance com as Normas Internacionais e minimização do TCO de BI.
. CEO – Padronização de processos e crescimento rápido. Eficiência nos processos e informação consistente para tomada de decisão rápida. Suporte à inovação.
. CIO – Simplificação do portfólio de TI. Arquitetura mais simples de implementar e manter, com consequente redução dos custos de BI.
Resumindo, o desafio das organizações nos próximos anos é lidar com severas demandas por novos sistemas de BI, mantendo a integridade das informações, além de gerenciar o TCO, entregando ao usuário aquilo que necessita, no tempo adequado.

*Fábbio Munze Lopes, fundador e diretor da Intech Brasil

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