
A V.tal, marca que nasceu da Oi como InfraCo, é a principal operadora de rede neutra do País e têm uma estratégia ousada agora que atua de forma independente: conectar 34 milhões de domicílios no Brasil até 2025. Para isso, a empresa vai investir R$ 30 bilhões ao longo dos próximos quatro anos e expandir sua oferta de fiber-to-the-home (FTTH) com operadoras e provedores de Internet (ISPs), onde ela monta uma rede FTTH, enquanto o parceiro é responsável por adquirir e atender clientes finais.
No mês passado, a V.tal foi adquirida pelo fundo de investimento BTG Pactual por R$ 12,9 bilhões, mas essa estratégia com a fibra óptica já havia começado em agosto de 2021, na época em que a marca V.tal nasceu, já de forma independente. Pedro Arakawa, vice-presidente de negócios Varejo da V.tal, explica melhor como funciona este novo negócio e qual a estratégia para crescer a médio e longo prazo. Confira.
PORTAL IPNEWS: Qual é o novo negócio da V.tal?
Pedro Arakawa: Fornece rede neutra para provedores de Internet e operadoras, além de um nicho novo de operadoras chamadas teltechs, que são empresas que oferecem para o consumidor final o serviço de banda larga sem uma rede própria, usando exclusivamente a rede da V.tal. Um caso público é a Obvious Fibra. A V.tal também tem um pilar de venda de rede por atacado, que fornece link de alta capacidade para ISPs e operadoras. Ele é uma parte importante para o business.
A V.tal só interage com o cliente final na hora da instalação, mas em nome do provedor de Internet em que o cliente contratou o serviço. Axxel Telecom e Vero, além da Obvious, já são os clientes públicos da V.tal.
Como funciona a relação entre a V.tal e as operadoras e ISPs? O que é o cliente-âncora?
O cliente-âncora, que é o primeiro provedor ou operadora que usa a infraestrutura da V.tal em uma nova área. Fazemos um plano a quatro mãos, com a V.tal fazendo um estudo da capacidade técnica da região e do projeto, alinhado com o ISP, que faz a análise mercadológica. O cliente-âncora ainda tem um compromisso de taxa de ocupação da rede, que é um compromisso que vai crescendo ao longo de 24 meses e estabiliza após dois anos. A partir de seis meses, essa infraestrutura pode ser compartilhada com clientes não-âncora.
Como são os contratos?
Os contratos de cinco a 20 anos e o pagamento é por casa conectada. A medida em que o provedor conecta casas, ele paga uma mensalidade por cada uma. Além disso, se o provedor ou operadora quiser que a V.tal faça a instalação dentro da casa do cliente, é cobrada outra taxa por instalação.
E para o cliente não-âncora?
É um pagamento por casa conectada, mas com a diferença de que o compromisso de ocupação da rede pode não existir, dependendo do modelo do contrato.
Quantos clientes vocês têm hoje?
A V.tal tem mais de 400 clientes, mas boa parte ainda tem contratos com produtos de atacado, um IP connect, um trânsito IP, link de alta capacidade. Clientes de FTTH, que é um business mais recentes, nós já temos mais de 40 clientes.
Quais são as perspectivas para o negócio de FTTH? É onde a V.tal coloca mais as suas fichas?
Sim. O FTTH, apesar de ser um business mais recente, no médio a longo prazo, vai ser o negócio com maior participação na V.tal. O atacado sempre será relevante, mas este novo modelo é o que mais otimiza o investimento para nós e os nossos clientes, que são os provedores de Internet e operadoras. Para eles, esse business de FTTH fim a fim – por começar desde a conexão com cabos submarinos internacionais, trânsito IP e vai até a casa do usuário – é o que mais otimiza custos e compartilha recursos, o que torna mais viável para todo mundo.
Qual a meta para que o FTTH seja o principal negócio da V.tal?
Ainda não estamos dando um guide financeiro, mas o que eu posso dizer é que, neste ano, a V.tal como um todo vai ter um faturamento superior a R$ 5 bilhões. Nossa meta para o FTTH não é pública, mas deve acontecer (de ser o principal negócio) nos próximos anos. Um dado que posso passar é nosso objetivo de chegar a 34 milhões de domicílios atendidos até o fim de 2025 (hoje, o número está em 17 milhões de casas).
Por que esse modelo é vantajoso para a V.tal?
Justamente por esse compartilhamento de infraestrutura, que aumenta a taxa de ocupação da rede e viabiliza um negócio melhor para todo o ecossistema. Eu passo um único cabo de rede no poste e traz um valor mais acessível para todos os nossos clientes. Além de não ter o custo do relacionamento do cliente.
Não há uma limitação de capacidade?
Um cabo de fibra óptica tem diversos pares de fibra e cada par consegue passar velocidades de mais de 1 Tbps, por exemplo. Tem muita capacidade nos cabos que estão nos postes que ainda não é utilizada.
Vocês já utilizam o XGS-PON?
Nossa rede hoje é misturada entre GPON e XGS-PON. Estamos migrando a participação deste último em nossa rede, mas só com o GPON já conseguimos prestar um serviço de altíssima qualidade, com banda larga de até 1 Gbps. O XGS-PON vai permitir capacidades ainda maiores (de clientes e de rede) e uma simetria melhor entre upload e download, por isso estamos migrando.
Onde o 5G entra na estratégia da V.tal?
Toda antena de 5G precisa de fibra óptica para alimentar a conexão. E para o 5G funcionar no Brasil, vamos ter que multiplicar o volume de sites de celular entre cinco e dez vezes. Se hoje temos 110 mil, teremos que ter algo em torno de 500 mil a 1 milhão de antenas e todas conectadas por fibra. A V.tal é uma grande viabilizadora desse futuro e de aplicações que vem com o 5G.
Vocês já estão conectando antenas 5G?
Sim, já estamos. É um negócio de atacado, mas o que eu posso dizer é que já temos memorandos de entendimento assinados com provedores de 5G e estamos executando essas conexões. Os clientes não são públicos, mas já temos mais de um em conexão. A V.tal tem a vantagem de ter infraestrutura óptica em 2,3 mil municípios, o que acelera a implantação das antenas.
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