Economia Digital

Pix pode atingir 50% das transações de e-commerce até 2028, mas instabilidade preocupa

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A consolidação do Pix como principal meio de pagamento no Brasil avança para o comércio eletrônico e deve alcançar cerca de 50% das transações do setor até 2028, segundo projeção da Ebanx. O movimento reforça a mudança estrutural em curso no mercado de meios de pagamento, com o sistema ampliando sua participação sobre cartões de crédito e outros instrumentos tradicionais.

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Lançado no fim de 2020 pelo Banco Central do Brasil, o Pix rapidamente superou o volume combinado de transações com cartões de crédito e débito, além de reduzir o uso de dinheiro em espécie. A evolução recente indica não apenas adoção massiva, mas também a migração para casos de uso mais complexos, como compras online, pagamentos recorrentes e assinaturas digitais.

A expansão no e-commerce tem sido impulsionada por melhorias contínuas na infraestrutura. Funcionalidades como o Pix automático e o Pix recorrente ampliam o escopo de uso e aproximam o sistema de modelos antes dominados por cartões. Dados recentes já mostram maior participação das transações entre consumidores e empresas, sinalizando a consolidação do Pix como componente central do varejo digital.

Esse avanço também pressiona o equilíbrio competitivo do setor. Ao oferecer liquidação instantânea e custos potencialmente mais baixos para lojistas, o Pix cria incentivos econômicos relevantes para adoção, ao mesmo tempo em que desafia o modelo das bandeiras internacionais, baseado em intermediação e taxas.

Ao ganhar escala e criticidade, a confiabilidade da infraestrutura passa a ser um ponto central. Episódios recentes de instabilidade no sistema, que afetaram temporariamente a realização de transferências em diferentes instituições financeiras,trouxeram o tema para o centro do debate. Em nota publicada em seu site oficial, o Banco Central do Brasil atribuiu as ocorrências a falhas pontuais em componentes específicos da infraestrutura, destacando que o sistema conta com mecanismos de redundância e monitoramento contínuo para rápida normalização. A autoridade também reforçou que a disponibilidade do Pix permanece em patamar elevado, com funcionamento considerado estável na maior parte do tempo.

Para o mercado, no entanto, a discussão vai além da taxa média de disponibilidade. À medida que o Pix se torna parte central da jornada de compra, especialmente no e-commerce, a tolerância a falhas diminui. “Quando o Pix passa a ser parte central da jornada de compra, estabilidade deixa de ser diferencial e se torna requisito básico”, afirma Hygor Roque, Head of Revenue da Divibank. Segundo ele, a robustez da infraestrutura passa a ter o mesmo peso que custo e eficiência.

O modelo brasileiro também segue sob atenção internacional. Autoridades dos Estados Unidos abriram investigação para avaliar possíveis distorções concorrenciais, questionando o papel do Banco Central como operador da infraestrutura e regulador. A autoridade monetária brasileira sustenta que o Pix é uma infraestrutura pública neutra, voltada a ampliar eficiência, inclusão financeira e competição.

A projeção de avanço no e-commerce indica que a próxima fase do Pix será marcada menos pela expansão de base e mais pelo aprofundamento no consumo digital. Nesse cenário, o Brasil se consolida como referência global em pagamentos instantâneos, ao mesmo tempo em que enfrenta o desafio de garantir resiliência operacional compatível com a crescente dependência do sistema.

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