O anúncio da criação da Libra, criptomoeda do Facebook, trouxe de volta as discussões sobre o assunto, mas pesquisa aponta que apenas 13% dos brasileiros compreendem como elas funcionam. Por isso, os especialistas Reinaldo Bianchi, professor do Departamento de Ciência da Computação, e Hong Yuh Ching, professor e coordenador do curso de Administração, ambos do Centro Universitário FEI, esclarecem algumas questões-chave sobre o funcionamento das criptomoedas.
Apenas 13% dos brasileiros compreendem o funcionamento de criptomoedas, aponta Kaspersky
De acordo com eles, a primeira criptomoeada a ser criada foi a Bitcoin, que surgiu com o intuito de ser utilizada na internet. Seus criadores falavam que a inovação faria pelo dinheiro o que o e-mail fez pelas cartas. Bianchi explica que essas moedas funcionam com base em criptografia: “uma pessoa tem moedas digitais em sua carteira, e quando quer enviar dinheiro para alguém ou realizar alguma transação utiliza uma senha. Após a validação, é anotado o saque de moedas de uma carteira e o depósito do montante na conta do recebedor do pagamento”, explica.
O professor esclarece que o mais importante dessas tecnologias é o local onde todas essas transações ficam anotadas, a blockchain. Ele explica que se trata de uma lista que reúne todas as transações realizadas e que fica distribuída em todos os computadores que participam de redes de criptomoedas no mundo. “Esta lista garante que ninguém possa gastar duas vezes a mesma moeda e que todas as transações sejam devidamente realizadas.”
Para Hong Ching, o blockchain revolucionará a segurança digital, não somente das transações monetárias, mas também das informações e dados pessoais e profissionais. As criptomoedas permitirão, em sua opinião, reproduzir em pagamentos eletrônicos a eficiência dos pagamentos com cédulas, já que são rápidos, baratos e não precisam de intermediários.
Como adquirir criptomoedas
Uma das formas de obter moedas digitais é através de um processo chamado de “mineração”, que valida as transações que ocorrem no blockchain. Para garantir que um bloco de transações não possa ser alterado, é criada uma chave a partir dos dados ali existentes. Para encontrar esta chave é necessário um grande poder computacional, pois ela deve ter características especificas que garantam a confiança nas transações. Ao encontrar uma chave que fecha o bloco, o minerador é recompensado com uma quantidade de criptomoedas.
Bianchi ressalta, porém, que a mineração é apenas a forma como as bitcoins são criadas. “A maneira mais tradicional de adquirir moedas digitais é por meio de uma corretora, onde a pessoa troca reais por dinheiro virtual. Depois de um tempo, o investidor pode usar a mesma corretora para vender suas criptomoedas”, explica.
Segurança
Além do blockchain, que registra toda transação realizada com moedas digitais, alguns países estão criando uma legislação que obrigue a identificação dos investidores. Por exemplo, no Brasil, ao abrir uma conta em uma corretora para compra de bitcoins, o cliente obrigatoriamente tem que enviar um documento de identidade, CPF e comprovante de endereço.
Também é preciso atenção na hora de investir, lembra Ching. “É sempre importante lembrar aos investidores de realizarem uma ampla pesquisa antes de investir em qualquer ICO (Oferta Inicial de Moeda, na sigla em inglês), para evitar o risco de cair em fraudes, pirâmides financeiras ou ataques cibernéticos.”
A CVM (Comissão de Valores Mobiliários) recomenda que os investidores fiquem atentos com a atuação de prestadores de serviços sem observância da legislação aplicável e saibam que a moeda pode correr risco de liquidez, ou seja, não encontrar compradores/vendedores para certa quantidade de ativos ao preço cotado. Mas, quaisquer denúncias ou reclamações sobre possíveis irregularidades em tais operações podem ser enviadas por meio de seus canais de atendimento ao cidadão.
Já sobre o futuro das criptomoedas, é difícil fazer uma previsão assertiva. “Mais importante que as criptomoedas, os profissionais devem estar preparados para a digitalização do dinheiro e como isso influenciará a produção, o financiamento e o consumo”, conclui Bianchi.

