A Qualcomm inaugurou ontem (18/9) um centro de referência em Internet das Coisas (IoT) na Faculdade de Engenharia de Sorocaba (Facens), no Estado de São Paulo, que tem como objetivo disseminar as oportunidades da tecnologia no setor público e capacitar novos profissionais para resolver problemas reais através da IoT. A iniciativa também conta com a participação do CPqD, que vai ser responsável pelo desenvolvimento de soluções no centro.
Qualcomm incentiva o crescimento do ecossistema de Internet das Coisas
Segundo Rafael Steinhauser, presidente da Qualcomm para a América Latina, o local será focado em soluções de cidades inteligentes e a Facens vai apresentar demonstrações e explicar o que a IoT tem a oferecer para as prefeituras de todo o País. “A intenção é facilitar a adoção de IoT e é preciso que representantes públicos entendam como se implementa, como se faz um edital de licitação e qual é o retorno do investimento”, afirma.
A Facens foi escolhida devido ao seu perfil. Especializada em diversos cursos de engenharia, a faculdade desenvolveu um projeto de smart campus, onde 14% da energia é gerada no local através de fotocélulas (solar) e consumo de água e energia inteligente. Antonio Beldi, presidente do conselho da mantenedora da Facens, lembra que a faculdade ainda conta com diversos laboratórios de tecnologia, como um de Indústria 4.0 (com uma pequena linha de montagem totalmente automatizada) e um Fablab no modelo da Autodesk, onde os alunos e a comunidade podem se aproveitar dos benefícios da impressão 3D.
Ainda de acordo com Steinhauser, o plano do centro de referência começou há alguns anos, após conversas com o governo federal sobre a vinda de uma fábrica da Qualcomm ao País. Depois de definir que ela seria especializada em semicondutores para smartphones, a companhia sentiu a necessidade de desenvolver um ecossistema de IoT para que, no futuro, a fábrica possa desenvolver chips para dispositivos de Internet das Coisas.
“Já o CPqD entra na parceria focado em desenvolver uma plataforma de visão computacional, onde uma câmera de videovigilância conectada à nuvem é capaz de compreender um cenário – qual é esse carro, quem é essa pessoa – e efetuar uma ação de reporte, por exemplo, avisando à polícia que tal veículo trafegando em determinada rua é roubado”, diz o VP.
Para isso, o CPqD terá a sua disposição os hardwares da Qualcomm e a expertise da empresa em visão computacional, além, claro, de sua própria experiência em telecomunicações. “Hoje, nós nos tornamos especialistas em IoT (a empresa participou do estudo do BNDES na área) com foco em cidades inteligentes e agronegócio. Há um vetor de crescimento da tecnologia, que vai impactar a sociedade”, diz Alberto Paradise, vice-presidente de Inovação do CPqD. Segundo estudos do Garner, a IoT deve gerar US$ 12 bilhões em 2018 só no Brasil, com previsão de chegar a US$ 21 bilhões em 2022.
Fábrica da Qualcomm em Campinas deve ser inaugurada em 2020
Fábrica da Qualcomm no Brasil
A fábrica da Qualcomm deve inaugurar no final de 2019 e alcançar a produção a níveis comerciais em 2020. A planta será responsável pelo desenvolvimento do QSiP, um processador baseado no Snapdragon 440 e popularmente chamado de “chipão”, que visa baratear a produção brasileira de smartphones. Steinhauser diz que já foi desenvolvido um protótipo menor do mesmo hardware para dispositivos IoT e a intenção é que ele também seja desenvolvido na fábrica.

