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Redes autônomas avançam com promessa de cortar custos e otimizar operações das teles

As operadoras de telecomunicações avançam na adoção de redes autônomas como resposta ao aumento da complexidade operacional provocado pela expansão do 5G, pela explosão de dispositivos conectados e pela crescente demanda por serviços digitais. Mais do que uma tendência tecnológica, a autonomia das redes começa a ser tratada pelo setor como um caminho necessário para reduzir custos operacionais, ampliar eficiência e sustentar novos modelos de negócio.

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A transformação ocorre em um momento de forte pressão sobre as teles. O crescimento contínuo do tráfego de dados, a busca por experiências digitais sem interrupções e a expansão de aplicações de baixa latência exigem redes mais inteligentes, resilientes e capazes de operar com mínima intervenção humana. Nesse cenário, cresce o uso de inteligência artificial, analytics e automação avançada para permitir que as redes detectem falhas, tomem decisões e executem ações automaticamente em tempo real.

Alexandre Restani, Presales Manager of Engineering, Research & Development for Telecommunications da Capgemini

Segundo Alexandre Restani, Presales Manager of Engineering, Research & Development for Telecommunications da Capgemini, as operações tradicionais já não conseguem acompanhar o nível atual de complexidade das infraestruturas de telecomunicações. “Com a chegada do 5G, da IoT e das arquiteturas cloud-native, a operação manual simplesmente não escala mais”, afirma o executivo.

Estudos da Capgemini mostram que iniciativas de redes autônomas já proporcionam ganhos financeiros e operacionais relevantes. Entre os resultados observados estão aumento superior a 20% na eficiência operacional, redução de 18% nos custos operacionais (OpEx) em até dois anos e queda de até 71% no consumo de energia por meio de otimizações orientadas por inteligência artificial.

Apesar do avanço, a maior parte das operadoras ainda está em estágios iniciais de autonomia. Dados citados pela empresa apontam que 84% das teles globais permanecem em níveis básicos de automação, enquanto mais de 60% pretendem atingir níveis avançados de autonomia até 2028.

A evolução das redes autônomas está diretamente ligada ao uso de IA embarcada em diferentes camadas da infraestrutura, incluindo core, RAN, transporte, OSS e edge computing. Uma das principais apostas do setor é a chamada IA Agêntica, baseada em agentes inteligentes capazes de monitorar ambientes, detectar anomalias, executar ações corretivas e otimizar recursos sem necessidade de intervenção manual.

Esses sistemas utilizam modelos de machine learning e deep learning para viabilizar manutenção preditiva, detecção proativa de falhas, autorrecuperação das redes, otimização dinâmica de tráfego e gerenciamento inteligente de capacidade. Outro elemento importante é a adoção de arquiteturas programáveis e cloud-native, apoiadas em tecnologias SDN e NFV, que permitem automação de ponta a ponta e operações em closed loop.

Bruno Moreira, presidente da BMC Helix Brasil

Segundo Bruno Moreira, presidente da BMC Helix Brasil, as operações autônomas e centradas no cliente estão rapidamente se tornando o novo padrão das telecomunicações. “A velocidade e os modelos de suporte mudaram. Os consumidores esperam respostas imediatas e resolução praticamente instantânea dos problemas”, afirma.

Para o executivo, a IA também transforma a relação entre operadoras e clientes, viabilizando experiências mais simples, rápidas e personalizadas. Ferramentas de autoatendimento digital, chatbots com linguagem natural, suporte automatizado em múltiplos canais e monitoramento contínuo dos serviços passam a integrar a estratégia das teles na busca por maior eficiência operacional e melhoria da jornada dos usuários.

A expansão do 5G ampliou significativamente a necessidade de automação nas redes de telecomunicações. Além do crescimento do volume de tráfego, as operadoras precisam lidar com aplicações críticas que exigem baixa latência e alta disponibilidade, como automação industrial, IoT (internet das coisas), veículos conectados e serviços digitais em tempo real.

Ao mesmo tempo, o setor enfrenta margens pressionadas, aumento da concorrência e necessidade de diversificar receitas para áreas como nuvem, edge computing e serviços digitais. Nesse contexto, a redução de custos operacionais se tornou prioridade estratégica para as teles.

Especialistas avaliam que os projetos de redes autônomas tendem a começar por áreas com retorno financeiro mais rápido, como eficiência energética, automação de RAN, redução de falhas e melhoria da experiência do cliente.

O Brasil, porém, ainda enfrenta desafios importantes para acelerar essa transformação. Entre eles estão a coexistência de sistemas legados e ambientes multivendor, a dificuldade de integração de dados, a escassez de profissionais especializados em IA e automação, além das exigências regulatórias relacionadas à governança de dados e conformidade com a LGPD. A própria Anatel já discute diretrizes relacionadas ao uso de inteligência artificial no setor de telecomunicações.

Segundo Restani, o papel dos engenheiros de telecom também tende a mudar nos próximos anos. “A engenharia deixa de ser apenas configuração e troubleshooting e passa a projetar sistemas capazes de se autogerenciar”, afirma.

A expectativa do setor é que os centros de operação de rede evoluam para ambientes cada vez mais automatizados, com menor necessidade de intervenção humana e operações amplamente orientadas por inteligência artificial. Na avaliação dos especialistas, as operadoras que avançarem mais rapidamente nessa jornada terão vantagens competitivas importantes em eficiência, redução de custos, sustentabilidade e capacidade de inovação.

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