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Sobre a necessidade de um benchmark aberto na recuperação de ransomware

*Por Gustavo Leite

Diante de um ataque de ransomware, a alta liderança enfrenta forte pressão. Executivos de negócios exigem prazos para o retorno das operações, o conselho cobra garantias de controle e conformidade, enquanto clientes temem pelo vazamento de dados. A apressada tentativa de acalmar os ânimos muitas vezes leva os gestores a exigir a restauração imediata dos sistemas. Essa urgência tende a gerar mais tempo de inatividade, danos reputacionais e um risco elevado de reinfecção.

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As equipes de segurança ficam presas em um dilema. Elas precisam cumprir protocolos rígidos de contenção para evitar a restauração de vulnerabilidades, enquanto sofrem cobranças contínuas pelo reinício célere das atividades. O reinício precipitado frequentemente revela a permanência de invasores no ambiente, mantendo o sistema paralisado e colocando os especialistas no centro das críticas.

Essa desconexão ficou evidente em um estudo de 2024 da Viking Cloud: enquanto 81% dos executivos C-level se dizem confiantes na maturidade cibernética de suas empresas, apenas 29% dos gestores da linha de frente concordam. A falta de alinhamento deixa os líderes despreparados para a complexidade e a necessidade de colaboração exigidas em uma resposta eficaz.

A necessidade de um benchmark do setor

A solução para esse cenário passa pela criação de um benchmark transparente para todo o mercado. Um padrão confiável oferece dados globais e regionais, estabelecendo expectativas realistas e etapas acionáveis para restabelecer os sistemas com segurança. Essa referência permite às lideranças entenderem sua posição na linha do tempo de recuperação e fornece respaldo às equipes técnicas para resistir à pressão por atalhos perigosos.

Um benchmark do setor revelaria prazos médios de contenção, duração dos reparos, custos e frequência de ataques. Regulamentações recentes no setor financeiro europeu, como as normas associadas à lei DORA, exemplificam a viabilidade dessa ideia ao exigir notificações estruturadas durante incidentes graves. Relatórios iniciais em poucas horas seguidos de análises detalhadas fornecem transparência e ajudam a mapear riscos entre jurisdições.

Estender essa lógica ao universo do ransomware impulsionaria a criação de indicadores consistentes. A divulgação estruturada de incidentes direcionaria as discussões para a avaliação da maturidade em resiliência, examinando como pessoas, processos e tecnologias reagem ao longo de uma crise.

Um roteiro claro para a resiliência

Esse padrão setorial desmistifica a ideia de que existe uma solução instantânea para reativar operações com segurança. Investigações e mitigações de ameaças demandam tempo. A medição da resposta deve considerar prazos de detecção, contenção, integridade dos dados e restauração limpa dos sistemas. Invasores com acesso persistente deixam rastros e portas dos fundos difíceis de detectar, tornando a recuperação apressada um convite a novos ataques.

Em O Checklist Manifesto, o cirurgião Atul Gawande demonstra como listas de verificação bem estruturadas aprimoram o desempenho em atividades complexas. Na cibersegurança, o conceito reforça a importância de desacelerar para focar nos detalhes críticos. Enquanto um benchmark global padronizado não se concretiza no curto prazo, as próprias empresas devem coletar seus dados e construir suas referências internas, educando os executivos sobre a importância do devido processo.

A resiliência cibernética se constrói por meio da aplicação correta das tecnologias e dos talentos disponíveis. A visibilidade sobre os processos de recuperação, seja por meio de métricas consolidadas da indústria ou de mapeamentos internos, garante o alinhamento necessário entre a alta gestão e os times técnicos para proteger a organização de forma definitiva. *Gustavo Leite é VP da Cohesity para América Latina.

Este artigo é de total responsabilidade do autor, não representando, necessariamente, a opinião do Portal IPNews.

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