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Teleco questiona se provedores devem mesmo levar fibra para todo país

Classes com menor poder aquisitivo não veem motivo para pagar por serviço, o que inviabiliza expansão da tecnologia.

Em painel da Associação Brasileira de Provedores de Internet e Telecomunicações (Abrint), realizado dentro do Futurecom 2017, Eduardo Tude, presidente do Teleco, apresentou números que demonstram a falta de interesse do brasileiro por uma Internet de ótima qualidade.

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Com base nos dados da TIC Domicílios 2016, estudo sobre a Internet no Brasil, realizado pelo Cetic.br, Tude mostra que 46% dos lares brasileiros não contam com o serviço. Desses, 26% acham caro e 18% não tem interesse. Outros 14% não sabem usar a Internet. Apenas 7% apontam falta de disponibilidade na região.

“Isso mostra que a intenção de levar banda larga em fibra óptica para todo Brasil é um risco para os provedores”, diz o especialista.

O risco é causado pelo poder aquisitivo da população que mora em cidades mais distantes. Os dados mostram que, nas classes D e E, apenas 23% dos lares contam com Internet. “De fato, ter o serviço em casa pode não se encaixar nas despesas da família”, diz. A preferência desse tipo de consumidor é utilizar conexões de rede celular (3G/4G), através de aparelhos pré-pagos.

Tude separou os municípios por densidade populacional, com os médios e grandes ocupando o grupo A e os menores, o grupo B. O A representa 77% dos acessos em banda larga, onde as operadoras respondem por 90% do provimento do serviço.

No grupo B, onde as cidades estão mais afastadas, os pequenos provedores são os responsáveis por prover a conexão banda larga. “Os riscos de investimento ficam para os ISPs”, afirma.

A opção que os provedores têm feito, incluindo as operadoras, é levar a fibra óptica para os centros da cidade, atendendo bairros mais afastados via rádio. “Ilhabela é feito desse jeito e é uma cidade com forte apelo turístico”, comenta.

Por isso a preocupação da Abrint com os Termos de Ajustamento de Conduta (TACs), que a Anatel vem procurando assinar com as operadoras. “Enquanto os ISPs fazem investimentos do próprio bolso, as grandes telcos recebem um subsídio para investir em redes”, diz Breno Yale, presidente do Conselho da Abrint.

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