Neste artigo, Cláudio Bass, gerente de consultoria da Sion People Center, discute a Gestão de Continuidade de Negócio, disciplina estratégica para enfrentar quaisquer momentos de crise no setor varejista.
Um shopping center movimentado, com pessoas de todas as idades e lojas de todos os portes atendendo seus clientes, efetivando suas vendas e gerenciando seus estoques. De repente, o inesperado: queda de energia, incêndio, falha de segurança física, pane no sistema de ar condicionado, problemas com a vigilância sanitária, desabamentos. O que pode fazer o setor Varejista para reduzir ao mínimo o impacto de eventos assim?
Dependendo da ameaça que se concretiza, a imagem será até mais impactada que a rentabilidade do dia em que tudo parou. Isto deve ser mensurado para que ações preventivas sejam tomadas. Todo e qualquer negócio pode e deve implementar a Gestão de Continuidade de Negócio (GCN). Para alguns setores o conceito já é conhecido e praticado. Falar em Continuidade dos Negócios nos remete muitas vezes a regulamentações do mercado financeiro, de seguros, CVM, Sox. Porém, esta disciplina estratégica de negócios, obrigatória para alguns segmentos do mercado, serve para empresas enfrentarem quaisquer momentos de crise, seja de ordem natural, tecnológica ou humana.
Um bom exemplo para ilustrar a Continuidade dos Negócios é o famoso Bug do Milênio. “O que fazer se o meu sistema não funcionar na virada do ano 2000?” Pode-se dizer que esta foi a primeira vez que o brasileiro foi obrigado a pensar em alternativas para a entrega dos seus produtos e serviços fundamentais.
Mas a continuidade está associada somente à tecnologia? Não, ela se refere a qualquer ameaça que se concretize levando à impossibilidade de acesso às suas instalações ou aos recursos que você necessita para executar suas atividades diárias.
Ainda estão vivos na memória das pessoas alguns incidentes que marcaram o segmento varejista: explosões de gás, desabamento de estruturas, acidentes em elevadores, incêndios, vendavais, enchentes e até queda de avião. Assim é fácil perceber a relação da Continuidade dos Negócios com os Shoppings Centers. Há uma responsabilidade adicional a este segmento, que recebe em sua infraestrutura diariamente milhares de pessoas, entre fornecedores, colaboradores e clientes. Uma falha implica em não fornecer produtos de utilidade essencial e, pior, colocar em risco a vida de muitas pessoas. Tudo isto causa um impacto direto e imediato à imagem da empresa varejista.
Não existe um plano padrão para shoppings, para lojistas. Mas é possível perceber que “prevenção” é a palavra-chave. Neste tipo de negócio, não podemos pensar em um local alternativo para continuar as atividades, mas podemos projetar um centro de comando para a gestão da contingência e atividades administrativas durante um evento não-programado.
Para definir a melhor estratégia é necessário conhecer os tipos de ameaças que podem comprometer a continuidade das operações. É necessário conhecer as atividades das áreas de negócio que são vitais e as perdas (quantitativas e qualitativas) envolvidas caso um incidente ocorra.
É através de um planejamento, um arranjo entre todas as organizações envolvidas, um ensaio para momentos de crise: saber onde e como as atividades terão continuidade. Todos são fatores decisivos não somente para a ininterrupção, mas para a própria sobrevivência da organização. Isso é a Continuidade de Negócios, é prudência empresarial.
Shoppings recebem famílias inteiras, para alguns brasileiros são como a “segunda casa”. Eles compram, passeiam, descansam, resolvem problemas e se distraem. Manter toda a lucratividade que vem com estas atividades comuns só depende da prevenção senão, um dia a casa cai.
*Cláudio Basso é gerente de Consultoria da Sion People Center, tem 27 anos de experiência na área de TI, dez deles em Continuidade de Negócios e sete em Segurança da Informação. É integrante da ABNT/CEET (Comissão de Estudo Especial Temporária da Associação Brasileira de Normas Técnicas), voltada à elaboração de normas de continuidade de negócios.

