Check Point Software analisa a vulnerabilidade crítica de dia zero do MOVEit, que permitiu o roubo de dados de oito clientes da Progress
Em maio deste ano, a Progress Software Corporation viu uma vulnerabilidade em seu software MOVEit, usado para transferência de arquivos gerenciada (MFT – Managed File Transfer) que oderia levar a privilégios escalonados e possível acesso não autorizado ao ambiente. Após a descoberta, a Progress iniciou uma investigação, forneceu etapas de mitigação e lançou um patch de segurança, tudo em 48 horas.
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No entanto, a vulnerabilidade no MOVEit Transfer e MOVEit Cloud (CVE-2023-34362) teve uma janela de ativação suficiente para que cibercriminosos associados ao grupo de ransomware Clop, afiliado à Rússia, a explorassem. De acordo com a Check Point Research (CPR), os hackers logo lançaram um ataque à cadeia de suprimentos contra os usuários do MOVEit.
Entre eles estava o provedor de serviços de folha de pagamento Zellis, que foi a primeira a divulgar uma violação de segurança em junho de 2023, embora muitos outros tenham sido afetados. Até agora, oito de seus clientes relataram roubo de dados e acredita-se que centenas de outros tenham sido afetados.
Após o ataque, o grupo de ransomware com motivação financeira exigiu pagamento para impedir que os dados fossem divulgados publicamente. Em uma postagem na Dark Web, eles disseram: “Somos os únicos que realizam esse ataque e relaxem porque seus dados estão seguros. Devemos proceder da seguinte forma e você deve ficar atento para evitar que medidas extraordinárias afetem sua empresa”.
Uma brecha na cadeia de suprimentos
De acordo com um relatório da organização sem fins lucrativos Identity Theft Resource Center, os ataques à cadeia de suprimentos ultrapassaram o número de ataques baseados em malware em 40% em 2022, com mais de 10 milhões de pessoas e 1.743 entidades afetadas.
Os especialistas da Check Point Software ressaltam que, para operar com responsabilidade, as organizações precisam se apropriar de sua estratégia de segurança cibernética e parte disso inclui entender as fraquezas de terceiros como se fossem suas. Isso é crucial porque um ataque não afeta apenas o alvo, mas também seus funcionários, cujos dados agora estão expostos.
É fundamental que as empresas adotem uma mentalidade de prevenção e implementem controles mais rígidos, como segmentação para limitar o impacto de um ataque e monitoramento mais completo para garantir um nível mais alto de visibilidade em vários vetores de ataque, incluindo a rede e os usuários.
Ransomware: pagar ou não pagar?
O que é evidente na exploração do MOVEit é como os grupos de ransomware mudaram o foco da criptografia de dados para a extorsão de dados. Por quê? Porque os dados não criptografados são mais valiosos. Os dados podem ser lançados em domínio público quase imediatamente, o que significa que as vítimas estarão ansiosas para recuperá-los, não importa o custo, diz a Check Point.
Embora alguns possam pensar que essas são ameaças vazias, os pesquisadores da Check Point Research observaram como essa abordagem pode ser eficaz como no caso da seguradora de saúde australiana Medibank. Quando se recusaram a pagar os pedidos de resgate de US$ 10 milhões em outubro de 2022, os cibercriminosos despejaram informações pessoais relacionadas à interrupção da gravidez, abuso de drogas e álcool, problemas de saúde mental e outros dados médicos confidenciais.
A questão é: as organizações devem pagar? A maioria dos especialistas acredita que o pagamento de demandas não impedirá futuros incidentes. Em entrevista ao iNews, Simon Newman, membro do Conselho Consultivo da International Cyber Expo, disse que: “Pagar resgates a criminosos cibernéticos não garante que todos os dados serão devolvidos. Na verdade, na maioria dos casos, é extremamente raro e pode simplesmente expor você a novos ataques de ransomware no futuro”.
Alguns governos propuseram sanções contra o pagamento a esses grupos, incluindo Austrália, Reino Unido e Estados Unidos. Isso pode explicar o porquê de os lucros do ransomware caírem 40% em 2022 para US$ 456,8 milhões, segundo a Check Point.
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