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A tendência dos micropagamentos

A introdução da tecnologia Blockchain possibilita simplificar todos os tipos de transações bancárias.

*Por Daniela Bottai

Segundo uma pesquisa divulgada recentemente, já há mais brasileiros investindo em criptomoedas do que em ações na Bolsa de Valores. São 10 milhões de brasileiros que furaram a bolha da desconfiança, graças, em parte, ao sucesso na utilização da tecnologia Blockchain, que oferece segurança e a possibilidade de menores custos na transação.

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Penso que estava faltando apenas a entrada de um primeiro grande banco brasileiro para a adesão maciça do mercado. Como isso já é uma realidade, é bem possível que os demais grandes bancos não tardarão a se unir a essa lista.

E o que isso quer dizer? Quer dizer que a popularização das carteiras e moedas digitais fará surgir uma grande demanda de micropagamentos que o mundo financeiro estará ávido para explorar.

A introdução da tecnologia Blockchain possibilita simplificar todos os tipos de transações bancárias, desde os micropagamentos até elevadas movimentações internacionais com um maior nível de segurança. Não há como voltar atrás no uso dessa tecnologia altamente inovadora. É preciso olhar para o futuro!

Com uma oferta cada vez maior de diferentes produtos, serviços e, principalmente recursos financeiros, é possível que uma grande parcela da população se inclua na economia digital. Estamos falando, inclusive, de um público que sequer tem uma conta bancária ou um cartão de crédito atualmente.

E que poderá obter reais benefícios como, por exemplo, ser remunerado pelos dados de suas pesquisas online, uma vez que todos os sites e aplicativos já coletam os dados de comportamento de seus consumidores, porém, não os remuneram por isso.

Uma nova possibilidade é que o consumidor seja remunerado pelas empresas de publicidade. Hoje, recebemos todo o tipo de publicidade indesejada e não há nenhuma contrapartida.

Recentemente li uma entrevista na prestigiada revista americana Wired, demonstrando que os micropagamentos vêm alavancando também os resultados financeiros de inúmeros podcasts, jornais e newsletters especializadas. Isso porque ao invés de o leitor pagar uma assinatura total de um determinado veículo, ele pode escolher ler apenas um artigo e pagar apenas por ele. Interessante, não? A ideia não é nova, uma vez que em 2009 o Wall Street Journal havia anunciado que iria adotar o modelo de micropagamentos para a sua versão online. Penso que naquele momento o modelo não decolou porque não havia condições tecnológicas para a implementação adequada da ferramenta, ou também, simplesmente porque o consumidor ainda não estava sensível a esta opção.

Tudo isso sem mencionar que os micropagamentos serão importantíssimos para o cumprimento das leis de proteção de dados. Isso porque traz mais poder de escolha para quem fornece os dados e maior transparência com as empresas com as quais se relaciona.

Ninguém mais duvida que os micropagamentos vieram para ficar. Mas a tecnologia não para e num próximo artigo irei comentar um modelo ainda mais avançado: os nanopagamentos. Até a próxima coluna. *Daniela Bottai é diretora de Auditoria Interna no Itaú Unibanco.

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