Há pouco mais de três anos, o 5G foi oficialmente implementado no Brasil e, de acordo com a Conexis Brasil Digital, foram investidos R$ 116 bilhões na tecnologia entre 2021 e 2024. Até agora, as operadoras não conseguiram achar o modelo de negócios definitivo que trouxesse o retorno de investimento (RoI, na sigla em inglês) esperado. No entanto, a Ericsson aposta que a resposta está na inteligência artificial (IA) física.
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A IA física é o conceito de próxima geração de inteligência artificial que transcende o ambiente digital (telas e algoritmos) para interagir fisicamente com o mundo real. No contexto de telecomunicações, ela operaria diretamente na gestão das redes, evoluindo o que hoje se tem como redes definidas por software (SDN, outra sigla em inglês).
Segundo Rodrigo Dienstmann, presidente da Ericsson para o Cone Sul da América Latina, essa será quase uma “mudança genética” para as operadoras, evoluindo todo o modelo de negócio e de tecnologia do setor de telecom. “Hoje, as redes recebem dados de humanos, mas com a IA física elas vão receber dados de dispositivos e outras IAs. As redes serão engenhadas e operadas de forma diferente de hoje. A IA vai aumentar eficiência e isso vai melhorar experiência do cliente, resultando em mais receitas”, afirmou ele, em reunião virtual com jornalistas.
Ericsson quer estar de mãos dadas com operadoras na transição
Tendo em vista essa tendência, que Dienstmann viu como será desenvolvida durante o Mobile World Congress realizado semana passada em Barcelona (Espanha), a estratégia da Ericsson é apoiar as operadoras na transição das redes. Segundo ele, será necessário adotar de vez o 5G standalone (SA) para que esse futuro seja palpável.
O executivo também comentou que os investimentos globais em rede estabilizaram no último ano, após uma queda entre 2022 e 2024, como aponta relatórios da consultoria Dell’Oro. Segundo ele, isso foi reflexo do alto volume de investimento no início do 5G e que o platô veio conforme a tecnologia se massificou. Mas ele também aponta que a falta de investimentos é motivada pelo modelo de negócios tradicional das operadoras, que ainda se comportam como vendedoras de acesso e gigabit. Para ele, a IA pode mudar isso no longo prazo, enquanto novas receitas podem ser encontradas em novas ofertas.
O modelo de Network Slicing, ou fatiamento de rede em português, é um exemplo. Ele citou casos de sucesso em arenas esportivas ao redor do mundo, onde operadoras fatiam a rede para atender diferentes demandas e assim garantir que serviços não sejam afetados pela alta concentração de pessoas no local. Também há a possibilidade de ofertar um acesso premium para o cliente final e ter uma receita a mais.
Cenário local
Dienstmann ainda falou sobre a concorrência na América Latina e citou que, apesar do crescimento local da Huawei, a Ericsson e a Nokia ainda dividem a liderança da região. O executivo destacou que houve perdas no mercado brasileiro e mexicano, mas também ganhos na Argentina, que atrasou sua transição para o 5G. Outro ponto é que os investimentos em 5G nos principais mercados da região já passaram do seu pico, como é o caso de Brasil e México.

