A Cisco divulgou ontem (19/2) o estudo Mobile Visual Networking Index (VNI), que traça o crescimento exponencial do tráfego de dados e das redes móveis, inclusive no Brasil. Mas para que a evolução de fato seja aproveitada, Giuseppe Marrara, diretor de Políticas Públicas da empresa, afirma que haja maior investimento na infraestrutura fixa. Para ele, as redes fixa e móvel andam juntas, mas para o País conseguir expandir o acesso à Internet, será necessário aprovar o Projeto de Lei da Câmara 79/2016.
A proposta muda a concessão da telefonia fixa para autorização e relaxa obrigações que operadoras devem fazer. Em contrapartida, espera-se que estas empresas invistam mais na expansão da banda larga. “A população hoje quer mais dados, mais Internet, mas a legislação trava as operadoras (concessionárias) a continuar investindo em telefonia fixa”, explica o executivo da Cisco. Dessa forma, sobraria capital para as empresas investirem em redes, sejam fixas ou móveis.
Outro problema é a forma como são leiloados os espectros de radiofrequência, necessários para implantar redes 4G e 5G. Marrara explica que esses leilões são feitos com intenção arrecadatória e todo o capital gerado vai para o Tesouro, sem voltar para o setor de telecomunicações. O ideal, diz ele, é que se priorize a conexão do consumidor.
Por fim, o executivo também comentou sobre a necessidade de rever a tributação do Fundo de Fiscalização das Telecomunicações (Fistel), um fundo voltado ao setor que impõe taxas para conexões M2M. Para este segmento crescer no País, ele destaca a necessidade de não tributação deles.

