Considerando estes três níveis (dados-informações-indicadores), podemos fazer um paralelo com a sua utilização para eficácia do processo decisório. Pois dados são abundantes, mas informações e indicadores nem sempre são utilizados com foco na decisão bem sucedida.
Para atingir este objetivo, a organização necessita implementar algo que chamo de I.I. – Inteligência da Informação. Sabemos que, dado à existência de dados em grande número, as informações possíveis de serem extraídas são praticamente infinitas. Podemos agrupar, organizar, calcular, reorganizar, classificar e integrar os dados da maneira como quisermos, o que resulta em uma quantidade enorme de informações potencialmente existentes. Qualquer profissional que já teve acesso ao banco de dados de uma empresa sabe do que estou falando.
Diante deste universo de informações de extração viável, a grande questão é a seguinte: quais as informações que efetivamente fazem a diferença ao negócio? Quais informações podem gerar conclusões objetivas e que permitem ao gestor tomar ações focadas em resultados? Como utilizar um extrator (ou um software de BI) de maneira a obter e analisar somente as informações essenciais ao negócio?
A melhor maneira de uma organização atingir este objetivo é com o uso disseminado e contínuo da estatística em seu processo decisório. Estatística é a ciência que estuda os números. Suas ferramentas permitem obter padrões de comportamento e diagnosticar causas e efeitos entre informações, relevância de variáveis sobre determinado resultado e causas de problemas. Além de possibilitar o teste de hipóteses, fazer previsões, etc.
Informação sem estatística é somente informação. Gera incerteza para a tomada de decisão científica. Não contém embasamento para prover segurança ao gestor. Promove a decisão por empirismo. Deixa as decisões do negócio nas mãos da “arte” e do “feeling” do elemento decisor.
Informação com estatística é constatação. É o conhecimento dos fatos. Promove a decisão científica, direta e objetiva. O responsável pela decisão passa a ser o transformador do conhecimento extraído em ações. A organização fica muito menos dependente de “artistas”. Existe um
a estrutura decisória maior do que seus elementos-chave. É o efetivo “processo decisório”.
Programas como o consagrado “Six Sigma”, evolução até hoje utilizada pela ferramenta desenvolvida por Deming – o CEP, aplicam conceitos estatísticos de forma indiscriminada e disseminada nos processos produtivos (aplicação de Six Sigma em outras áreas ainda é incipiente). Precisamos aplicar tais teorias para todo e qualquer processo. Informações financeiras, contábeis, comerciais, de marketing, entre outras – todas devem ser fruto de trabalho estatístico antes de sua interpretação.
Por outro lado, a existência de indicadores (conforme colocado acima) já configura uma evolução da informação, provendo maior cientificidade à gestão. Se a utilização da estatística ainda é pouco aplicada e dependente de um amadurecimento de gestão de maior porte, a utilização de indicadores não o é.
Entendo que a gestão por resultados, baseada em indicadores financeiros, operacionais, de mercado e de pessoas, é o primeiro passo de toda organização em prol da Inteligência da Informação. Indicadores bem desenvolvidos, coerentes com a estratégia organizacional, que medem os efetivos resultados dos processos e do negócio, caracterizam uma oportunidade de aplicação de maior cientificidade às decisões diárias. Não é à toa que os mais modernos Modelos de Excelência em gestão dão ênfase cada vez maior o sistema de medição da performance – e seus resultados.
Resumindo o contexto geral: na era da informação as organizações precisam focar na “inteligência das informações”. Assim como somente dados bem armazenados não bastam, informações sem foco e sem estudo também não. É preciso mais! É preciso estudá-las e analisá-las de forma adequada, estruturada e contínua. Os administradores precisam não só destinar recursos à gestão de TI. É necessário considerar uma lacuna cada vez mais latente. Em suma, é fundamental alocar recursos no desenvolvimento de I.I.
*Rafael Scucuglia é Diretor de Operações da Gauss Consulting. empresa de consultoria instrumental e assessoria especializada.

