Para o diretor da empresa, Emerson Reis, os preços negociados estão abaixo do ideal e o selo de qualidade VoIP não resolverá todos os problemas.
A quantidade de empresas que nascem nesse mercado IP impressiona até os profissionais mais rodados nas áreas de Telecom e TI. Fora do eixo Rio/São Paulo, Estados como Minas Gerais e Rio Grande do Sul despontam com pequenas companhias ávidas por estruturarem seus serviços de voz sobre IP.
É o caso da Hyperfone, distribuidora de VoIP, que nasceu há mais de dois anos em Minas Gerais, na oferta de minutagem sobre IP. Emerson Reis, sócio-diretor da empresa, comenta que este mercado é um dos mais promissores, porém, com probabilidades de decréscimos imensos. “Hoje temos a perspectiva de 101% de ascensão, em contrapartida, 102% de decadência”, alerta.
O empresário critica a concorrência, que segundo suas considerações, é desleal. “O mercado está muito confuso, infelizmente temos empresas que não trabalham corretamente. Existem distribuidores que chegam a negociar o minuto de uma chamada por quatro centavos. Isso é um absurdo, são preços impraticáveis”, resume.
A Hyperfone trabalha com preços que variam entre R$0,10 e R$0,65. “Temos esses valores porque não somos uma operadora de VoIP, revendemos o pacote de milhas”, justifica Reis. Para ele, quando o cliente compra um produto com valor muito abaixo do praticado no mercado, ele corre sérios riscos de adquirir gato por lebre. “O consumidor não conhece as empresas sérias, ele apenas quer reduzir os seus custos. No entanto, essa solução não oferece o mínimo: qualidade na ligação”, diz.
Questionado sobre o selo de qualidade para as empresas de VoIP, Reis é reticente por acreditar não ser essa a solução. “Ainda é cedo dizer que um certificado vá resolver tudo. Muitas pendências com a Anatel precisam ser resolvidas. A regulamentação do SCM é confusa. Daí já tira uma base do quanto essa estrutura precisa mudar”, avalia.
Com todas as ponderações, o diretor da Hyperfone, enxerga 2008 como um ano favorável à companhia: “nosso objetivo é crescer 150%”. A estratégia para alcançar a meta já foi iniciada. Com o “boom” de companhias com preços baratos, a revendedora mineira sofreu uma queda no número de clientes. Reis explica que foi necessário reformular a atuação. Hoje a companhia provê serviços aos pequenos provedores de VoIP. “Outro fator que contribuiu foi a expansão do serviço por todo o Brasil, já tivemos neste último semestre um aporte de 70% em nosso faturamento”, afirma.

