Ao publicar a portaria do edital do 5G na última semana, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) impôs como padrão para tecnologia o release 16, que pede por uma implementação de rede Standalone. A novidade, segundo o relator do projeto, o conselheiro Carlos Baigorri, vai permitir que o 5G traga “as promessas revolucionárias da tecnologia”.
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Produzido pela 3GPP, associação que prepara as padronizações das redes móveis, o Release 16 traz as especificações de protocolos para a conexão de dispositivos à rede 5G. De acordo com a 5G Americas, a nova padronização permite redes ultra-confiáveis de baixa latência (URLLC, na sigla em inglês) e, consequentemente, o uso da Internet Industrial das Coisas (IIoT) e as conexões celulares para veículos (Cellular Vehicle to Everything – C-V2X), permitindo o uso de veículos autônomos.
No entanto, a 5G Americas estima que a onda de tecnologias baseadas no Release 16 só venham a aparecer a partir de 2022, quando se espera que a arquitetura 5G autônoma já seja a norma e alguns outros avanços como small cells milimétricas, computação de borda e redes privadas já estejam amplamente adotados.
Além disso, o Release 16 também apresenta exigências para uso do espectro não licenciado no 5G, com regras para eficiência, mitigação de interferências, entre outros pontos técnicos. O padrão ainda apresenta especificação para gestão do espectro não licenciado, prevendo até que seja possível usar apenas espectro não licenciado, o que pode facilitar a adoção de 5G em ambientes fechados, como indústrias.
Release 16 vai contra planos da Vivo e Claro
A exigência da Anatel com o Release 16 diminui o benefício em utilizar infraestruturas legadas, já que os padrões são mais novos e tornam a tecnologia utilizada para implementar o 4G obsoleta para o 5G. Dessa forma, até mesmo as vantagens que a Huawei detinha como principal fornecedora de infraestrutura de rede diminuem na disputa pelo 5G.
Já as operadoras também vão precisar repensar suas estratégias. A Vivo e a Claro, que já vinham implementando o 5G DSS (Dynamic Spectrum Sharing) – tecnologia de rede que permite aproveitar maior velocidade em rede móvel, mas não entrega a baixa latência protegida pelo 5G – vão ter que replanejar sua estratégia para o leilão do 5G.
Para o relator do edital, a definição do release 16 garante que todas as teles partam do mesmo ponto de rede. “Houve reclamações de que o release 16 não aproveita investimentos já feitos. Mas, se forem aceitos os investimentos anteriores, feitos na modernização do 4G, os novos entrantes não teriam a mesma eficiência na largada”, disse Baigorri.
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