Vendas assumem ritmo mais moderado de expansão, mas Móveis e Eletrodomésticos continuam a crescer em dois dígitos.
As vendas do varejo brasileiro tiveram em setembro mais um mês de crescimento, embora o ritmo de expansão esteja diminuindo gradativamente. A alta de 5,3% na comparação anual, de acordo com informações divulgadas pelo IBGE em sua Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), foi obtida sobre uma base de comparação elevada, já que em setembro de 2010 as vendas haviam crescido 11,4% sobre o mesmo mês de 2009. O resultado fez com que o acumulado do ano ficasse em 7% e a expansão dos últimos 12 meses em 7,7%. “O desempenho ainda é positivo, apesar de menos brilhante que no início do ano, o que é até natural se considerarmos a base de comparação mais forte neste semestre. O destaque, mais uma vez, fica para os segmentos de bens duráveis, especialmente móveis e eletrodomésticos”, analisa Luiz Goes, sócio-sênior e diretor da GS&MD – Gouvêa de Souza, empresa de consultoria em varejo.
Considerando o Varejo Ampliado (que também agrega automóveis e materiais de construção), as vendas subiram 4,8%, acumulando 8% de alta no ano. As vendas de automóveis avançaram 3,6%, contra 3,7% no mês anterior, enquanto os materiais de construção tiveram expansão de 6,5%, contra 6,6% de agosto. “A oferta de crédito impulsiona o consumo, mas a queda na confiança dos consumidores em setembro, por conta dos desdobramentos da crise global, fez com que os consumidores adiassem suas decisões de compra”, comenta Goes. Um exemplo disso é a expansão de 7,7% nas vendas de informática e comunicação, muito abaixo dos 26,3% do mês anterior.
O desempenho do varejo brasileiro continua sendo destaque entre as principais economias mundiais. Na Alemanha, por exemplo, o crescimento foi de apenas 0,2%, enquanto no Reino Unido as vendas subiram 1,5% e em Portugal caíram 6,2%. Nos Estados Unidos o avanço foi de 7,9%, ainda que sobre uma base de comparação bastante tímida.
No Brasil, o bom comportamento dos principais índices macroeconômicos, como renda, massa salarial e juros, garantiu uma alta moderada das vendas de bens semiduráveis. Em artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria, por exemplo, houve alta de 10,6%. Já tecidos, vestuário e calçados tiveram alta de 0,6%. “A base de comparação é muito forte, uma vez que no ano passado a alta das vendas foi de dois dígitos”, diz Goes.
O segmento de supermercados, hipermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo tiveram mais um mês com vendas abaixo da média: desta vez, crescimento de 3,5%. “O setor vem crescendo de forma moderada neste ano. Em setembro, a desaceleração da inflação deu um novo impulso às vendas”, analisa Goes.
Com a alta de 7% nas vendas no acumulado do ano, as expectativas do varejo para 2011 são otimistas. “O cenário macroeconômico é positivo e deverá continuar a haver uma ligeira desaceleração do varejo nos próximos meses, por conta da base elevada de comparação. Esperamos que nos próximos meses, as vendas do varejo cresçam na faixa de 4,5% a 5,5%, fechando o ano na faixa dos 6% a 6,5%, o dobro do que é esperado para o PIB“, conclui.

